A dinâmica de ativos intangíveis durante o processo de adoção de tecnologias da indústria 4.0 - proposição de um modelo conceitual
Autor
Marcelo Fabrício Prim
Orientador
- Orientador Jefferson de Oliveira Gomes
Área de Concentração
Materiais, Manufatura e Automação
Data de Defesa
10/02/2023
Número da Tese
79029
Resumo
A quarta revolução industrial está mudando profundamente a base da vantagem competitiva de recursos tangíveis para intangíveis. Para manter sua competitividade, empresas precisam se transformar não só do ponto de vista tecnológico, mas também organizacional e cultural. A Indústria 4.0 é, portanto, um fenômeno tecnológico e socioeconômico. Nesse contexto, a sobrevivência e o crescimento de uma empresa dependem muito da forma como ela desenvolve seu capital intelectual e como ela balanceia esforços para o aumento de sua produtividade com esforços para explorar novas tecnologias e novos modelos de negócio. No entanto, até o momento, a literatura fornece práticas corporativas apenas na perspectiva tecnológica. Pouco se sabe sobre como nutrir os recursos intangíveis de uma empresa como base para a adoção de novas tecnologias. Portanto, esta pesquisa tem como objetivo a proposição de um modelo conceitual, assim como o desenvolvimento e aplicação de um método que apoie PMEs a estruturarem seu capital intelectual, visando obter maior sucesso no processo de adoção de tecnologias da Indústria 4.0, tornando-se mais eficientes e, ao mesmo tempo, mais inovadoras. Para tal, realizou-se uma pesquisa com 353 empresas brasileiras do setor de autopeças, por meio da aplicação de um modelo de maturidade em Indústria 4.0. Fatores determinantes de sucesso, identificados a partir de uma análise quantitativa, foram utilizados para desenvolvimento de um questionário semiestruturado. Oito empresas foram entrevistadas, e suas respostas destiladas em oito dimensões agregadas, que representam ativos intangíveis de empresas de manufatura. Um modelo conceitual foi sugerido a partir das observações de como essas dimensões agregadas evoluem e se influenciam de forma a apoiarem empresas a adotar tecnologias da Indústria 4.0. Desenvolveu-se uma proposta de método, o InCaS 4.0, com base no modelo europeu de Declaração do Capital Intelectual. O método foi aplicado por meio de um projeto-piloto em uma PME de manufatura. Os resultados permitiram concluir que líderes engajados desempenham um papel fundamental na estruturação do capital estrutural, que é a espinha dorsal das empresas em níveis mais altos de maturidade da Indústria 4.0, sendo metarrotinas uma das principais ferramentas para tal. Sugere-se que, ao nutrir fatores de capital intelectual relacionados com as dimensões agregadas, uma empresa pode atingir maiores níveis de maturidade da Indústria 4.0 e assim tornar-se uma empresa ágil, capaz de adaptação contínua e dinâmica a um ambiente em mudança.
